4 de fevereiro de 2015

Drops #4 - Dungeons & Dragons: Book of Vile Darkness


Olá pessoal, novamente um tempo sem postar no blog. Mas o trabalho realmente tem me mantido bem ocupado.

Há alguns finais de semana eu tive finalmente a oportunidade de assistir o terceiro filme de D&D. Hoje posso finalmente dizer: ESSE FILME É SURPREENDENTEMENTE BOM. Porém, tenho alguns insights pra comentar

O passado Negro

Bom, para começar a falar de D&D3, primeiro eu preciso falar dos dois filmes anteriores.

Dungeons & Dragons (2000) - Foi um filme muito esperado pela minha pessoa. A recém-lançada 3ª Edição do D&D trazia infinitas possibilidades. Tudo servia de inspiração e velhos "limites" impostos pelas mecânicas de jogo não existiam mais. Era um tempo em que a banda larga estava dando seus primeiros passos e o filme do Senhor dos Anéis estava sendo anunciado. Vi em uma Dragão Brasil a matéria sobre o filme do D&D, o que me chamou mais atenção do que a própria saga Tolkieniana. O filme teve tudo pra dar certo: Atores renomados (Jeremy Irons, Thora Birch...), orçamento para efeitos especiais (U$45 milhões), baixa pressão do grande público (afinal, quem jogava D&D?) e uma nova edição sendo lançada para fazer um cross promotion. DEU TUDO ERRADO CARA!

Interpretação pífia, efeitos especiais bizonhos (armaduras que pareciam plástico), apoio nulo do jogo de mesa e raiva dos fãs. Grande decepção e a possibilidade de JAMAIS existir outro filme de D&D.

Mas eu estava errado...

Dungeons & Dragons: Wrath of the Dragon God (2005) - 5 anos depois, eu fui pego de surpresa. Andando pela rua, vejo uma banquinha de DVDs piratas, e lá está o filme. Pensei comigo mesmo: "COMO ASSIM CARA? FIZERAM OUTRO????". Peguei para assistir somente pela galhofa.

Hei de admitir, foi realmente um filme BEM MELHOR do que o primeiro, o que também nem era tão difícil né? O orçamento infinitamente mais baixo, atores absolutamente desconhecidos, porém um cuidado muito maior por parte da equipe de produção tornaram esta uma adaptação muito mais crível do que a primeira. O vilão metido a Wolverine, Damodar, está de volta. Eu ainda acho que o ator devia ser o ÚNICO a jogar D&D de todo o elenco. Parece que o cara fez o segundo filme por amor mais do que pelo dinheiro, sério mesmo. O filme era recheado de fan services que agradariam até o mais old school dos jogadores. Tem de tudo: Grupo sendo montado, personagens apelões, encontros aleatórios, morte em encontros aleatórios... Mas, de maneira geral, e mesmo com tudo isso, é um filme ruim, infelizmente.

Outro prejuízo para a franquia. O filme custou U$15 milhões e não rendeu sequer U$1 milhão. Agora sim, JAMAIS existirá outro filme de D&D na Terra.

Mas eu estava errado...

Poster do filme
Um novo recomeço

Dungeons & Dragons: Book of Vile Darkness é lançado em 2012 somente para DVD. Tá, primeiro acerto. Não adianta lançar um filme de um produto de nicho, com um background péssimo, para o grande público do cinema.

O filme foi produzido no Reino Unido e filmado na Bulgária, o que na minha opinião também foi um acerto. A Europa está cheia de vilarejos e castelos medievais, o que barateia MUITO a produção de um filme que se passa justamente na "idade média". Fora que, locações originais dão um ar muito maior de realismo do que as manjadas cidades cenográficas.

Por conta do baixo orçamento, os atores também foram desconhecidos nesse filme. Aqui temos atores que fizeram pontas em seriados e filmes famosos, temos atores dubladores de games e completos desconhecidos em seu primeiro trabalho. Porém, nenhum deles chegou a comprometer completamente o filme como um todo. É óbvio que um rosto famoso daria mais peso a produção, e quem sabe até um retorno maior, mas, imagino eu que a produção decidiu investir mais nos efeitos especiais.

Undead bem feito!

Os efeitos especiais são muito bons. Não temos armaduras que parecem papelão nem dragões cartoon que moram no porão, muito menos beholders cachorro. Aqui temos armaduras e armas críveis, uma maquiagem razoavelmente boa (menos para o personagem Goliath) e um dragão que se mostrou razoavelmente bem feito.


O enredo

Esse filme tem uma história bem simples (CONTEM SPOILERS MÍNIMOS DO COMEÇO DO FILME):

Um grupo de aventureiros como qualquer outro. Ou não...
Um feiticeiro antigo chamado Nhagruul, the foul, antes de morrer, criou um livro mágico repleto de maldades e que continha o segredo da sua alma eterna. O livro tinha um conteúdo de tamanha maldade que quem lia, tornava-se insano. Os anos se passaram e os seguidores de Nhagruul espalharam sua maldade pelo mundo, afim de que a memória de seu mestre jamais morresse. Foi uma era de trevas para toda a humanidade.
Porém, um grupo de guerreiros chamados de Cavaleiros do Novo Sol juraram trazer de volta a esperança para as pessoas. Apadrinhados pelo deus Pelor, cada cavaleiro recebeu um medalhão capaz de aumentar sua energia bondosa e destruir qualquer mal que surgisse. Os discípulos de Nhagruul finalmente foram derrotados.
Nem todos os discípulos de Nhagruul foram derrotados. Alguns deles sobreviveram, separaram as páginas e a capa do Livro e as espalharam pelo mundo. Enquanto isso, os Cavaleiros do Novo Sol se perderam em sua própria glória. O tempo passou, e o que antes era uma ordem gloriosa, se tornou um grupo de guerreiros individualistas.
Grayson, um jovem cavaleiro está prestes a fazer seu juramento para ser aceito na ordem, porém, ele e seus amigos são atacados por bárbaros. O pai de Grayson, um velho cavaleiro da ordem é sequestrado por um lorde maligno da região. Consumido pelo ódio, Grayson viola seu juramento e sai em busca de seu pai. Não sem antes buscar um grupo de intrépidos aventureiros... Ou não tão intrépidos assim.

Revelando o mínimo de spoilers possível, Grayson viola seu juramento de paladino ao se juntar a um grupo de personagens malignos. Estes personagens malignos estão em missão para o lord maligno da região, que está buscando as partes do livro, e Grayson enxerga neles a oportunidade perfeita de salvar seu pai e retomar a glória de sua ordem.

(DAQUI PARA BAIXO TEM SPOILERS)

Os Personagens

O filme está cheio de personagens bastante críveis. O paladino Grayson tem um background bem típico dos guerreiros das mesas de RPG. As ações dele, no filme, são as típicas de qualquer jogador de RPG que se preze: pegar dinheiro com inimigos derrotados, visitar o mago da cidade para comprar itens mágicos, ir na taverna procurar companheiros de aventura... Grayson representa o típico jogador de D&D em uma mesa, e nunca desvia do caminho determinado pelo prólogo, tornando-se um persoangem bem consistente.

Akordia é uma Warlock muito crível. É uma personagem bem clichê em certos aspectos, mas que toma várias atitudes surpreendentes ao longo da trama. É uma mulher que lidera um grupo de personagens malignos, onde inclusive, alguns são mais poderosos que ela. Eu particularmente achei isso bem legal. O filme também explora de maneira divertida a redenção da vilã e o crescimento de seus sentimentos em relação a Grayson.

Akordia, uma ótima personagem Shadar-kai
Ranfin é um druida Vermin Lord. É um vilão bem crível. Ele faz o contraponto com Akordia. Enquanto ela é uma vilã que vai se redimindo aos poucos, Ranfin vai se tornando cada vez mais desprezível, até chegar ao ponto de realizar atos malignos gratuitamente apenas para desafiar a autoridade de Akordia e a lealdade de Grayson.

Um goliath mal feito
Vimak é um bárbaro e ranger. Foi o único personagem ruim que vi no filme todo. O background dele não condiz muito com o que ele se tornou. E toda a maldade que ele pratica no filme inteiro parece gratuita.

Bezz é um assassino. É um vilão muito crível também. Ele é um personagem que puxa muito para o clichê do vilão covarde. Durante toda a trama do filme, ele se mostra valente quando exigem essa valentia dele, Bezz se transforma em um covarde da pior espécie.

(FIM DOS SPOILERS)

Vale a pena assistir?

Vale! E como vale. Posso dizer que o filme foi feito com um cuidado inexistente nos dois primeiros. Parece que todos os atores sentaram e jogaram uma partida de D&D antes de começarem a gravar. A maquiagem, as armaduras e os efeitos especiais são muito bons para um filme de baixo orçamento.

Se você for um jogador veterano, vai ficar reconhecendo e caçando todos os easter eggs e referências feitas aos livros e aventuras famosos.

Veja nem que seja para ter ideias de aventuras

Não vou dizer que você vai se apaixonar pelos personagens, mas você vai, no mínimo, achar algum deles muito legal a ponto de querer usar em uma aventura.

Porém, não recomendo o filme se você não for um fã de RPG ou D&D. Pra você, o filme vai parecer um pastelão de Sessão da Tarde (o que no fundo no fundo, ele é).

Tive uma experiência muito boa com esse filme. É difícil dizer se é porque eu não esperava NADA dele, ou se é porque ele realmente é muito bom. Mas, uma certeza eu tenho, vale a pena perder 90 minutos da sua vida para dar um pouco de atenção a esta obra cinematográfica.